
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
.:. A Violência Institucionalizada em Outra Área da Medicina .:.

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Marcadores: cesarista, Corpo, Direitos da Parturiente, Intervenções, Procedimentos de Rotina, Sua Vida, Tortura Psicológica
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
.:. Entrevista - Renata Olah, Fisio e Doula .:.
A Rê (olha a intimidade!) e eu nos conhecemos através de uma doula muito amada, Janaína Mamede, que já virou estrela e que me auxiliou no meu parto via Internet. Rê e eu nos conhecemos após a partida da Jana, e acabamos nos tornando amigas... virtuais, até o momento!
Nessa entrevista, o foco foi períneo, para destruirmos alguns mitos muitos propagados.
Há quase 4 anos! O tempo passa rápido demais e a paixão por esse trabalho só aumenta!
Me formei pela PUC-Campinas, em 2006! No ano seguinte ingressei na Unicamp para fazer a pós-graduação em Fisioterapia aplicada à Saúde da Mulher... e assim que acabou a especialização, fiz o curso de doula. Minha atuação como fisioterapeuta é restrita ao atendimento às gestantes e mães. Trabalho com drenagem linfática, conscientização e fortalecimento perineal, exercícios respiratórios e posturais, para aliviar aquelas dores nas costas que muitas gestantes têm. E em breve também terei como recurso terapêutico a acupuntura, que decidi aprender por ser um método eficiente e não farmacológico de tratar desconfortos e ajudar no reequilíbrio energético das gestantes.
3- Quantos partos você já acompanhou?
Foram poucos, 20-25... por enquanto, pois passei um tempo afastada do mundo “doulístico” por motivos profissionais mesmo. Não sei o número certinho, pois durante minha pós-graduação eu também acompanhei alguns partos, e então eu os incluo na minha experiência como doula.

4- Algum domiciliar?
Sim! E de amigas queridas!! Eu fico muito feliz de saber que está havendo procura por esse modo de parir. Estar em casa, protegida, acolhida, tendo atenção e respeito pela equipe que assiste a mulher é para mim a melhor forma de dar à luz! E sou muito grata por também participar de momentos assim!
5- Algum já acabou em cesárea? Sabe dizer por quê?
Sim!! Infelizmente. Geralmente por distócia emocional. Algum fator externo ou interno, que acabou bloqueando o processo de parir. Cansaço, estresse, profissionais ríspidos, pressão para que o trabalho de parto fosse mais rápido... foram alguns fatores que acabaram levando algumas doulandas minhas para a mesa de cirurgia.
6- Quais serviços você oferece no pré-parto?
Eu mesclo o trabalho de fisioterapeuta e o de doula. Como falei ofereço drenagem linfática e exercícios corporais (respiratórios, posturais, perineais), mas também faço várias discussões com as gestantes. Faço aula mesmo! Power-point, vídeos, textos, vivências... Abordo assuntos que acho de extrema importância para a gestante: as diferenças entre parto normal e cesárea, os mitos, amamentação, cuidados com bebê, procedimentos de rotina.. Coloco os pais para trocarem fraldas de bonecas, ordenharem mamas didáticas, a treinarem posições para o parto, etc... É divertido!
7- E no pós-parto?
No pós, continuo oferendo o mesmo trabalho corporal. E também ofereço aconselhamento em amamentação, para que a mãe aprenda a posicionar seu bebê adequadamente, a verificar a pega correta... e também ensino Shantala, que é uma massagem de origem indiana que facilita o vínculo entre mãe e bebê, e ainda ajuda a aliviar as cólicas dos pequenos.
8- Essa história de que o parto normal é péssimo para o períneo é verdadeira?
Se fosse péssimo, a mulher não pariria pela vagina. A natureza é muito sábia e nos deu um corpo que funciona muito bem. E a fisiologia do parto é perfeita. Nosso corpo se prepara 9 meses para podermos parir! A vagina se torna mais elástica e macia, as articulações da pelve se afrouxam e a musculatura perineal se alonga, dando passagem ao bebê!
Mas a questão não é o parto normal, natural, fisiológico. O grande problema a meu ver é a qualidade da assistência dada à mulher que opta em parir. Hoje sabemos que o parto normal não tem nada de normal, e a mulher é submetida à diversas intervenções desnecessárias e rotineiras que dificultam o processo natural de parir. O processo parturitivo vem sendo modificado para que se torne mais rápido e cômodo à equipe que assiste a gestante, deixando de ser fisiológico. E o períneo acaba sofrendo com a cascata de intervenções, pois uma coisa leva à outra...
O que vemos hoje em dia é o seguinte: coloca-se a mulher deitada, anulando a força da gravidade que é tão benéfica para a mulher que está parindo. Sem a gravidade, a mulher tem que fazer muito mais força para expulsar o bebê. Em muitos casos, também realiza-se analgesia, o que faz com que a mulher deixe de ter a vontade de empurrar (os chamados, puxos). Com isso, a força de expulsão tem que ser guiada pelo médico, e sem sentir direito o que está acontecendo, a mulher não faz a força no local certo. Com isso, o período expulsivo tende a demorar um pouco mais, e como a pressa é fator importante em nossos encontros

obstétricos, a mulher então é submetida à episiotomia (corte realizado na vagina para alargar o canal do parto e acelerar a expulsão do bebê).... Isso sem contar com o uso rotineiro de ocitocina, que aumenta a intensidade das contrações e mantém a mãe mais restrita pelo aumento da dor, e também a aplicação infundada da manobra de Kristeller, sobrecarrega o períneo...
Ainda sobre a episiotomia, acho importante salientar que aqui no Brasil, a episiotomia é feita em aproximadamente 94% dos partos normais¹, mesmo com as evidências² mostrando claramente que esse procedimento não protege o assoalho pélvico contra a incontinência urinária ou fecal, nem dos prolapsos genitais; que quando realizada a dor perineal é muito mais intensa, aumentando o risco de dispareunia (dor durante a relação sexual); por si só já é uma laceração perineal e que por isso aumenta o dano perineal por facilitar que haja lacerações de terceiro ou quarto graus..
Assim, o que se verifica é que o períneo que era íntegro acaba sendo lesionado por causa de várias intervenções que podem ser evitadas se o processo natural for respeitado.
Uma mulher saudável que tem possibilidade de escolher sua posição de parir, que adota posições verticais, que é orientada a preparar esse períneo anteriormente, que respeita os puxos voluntários e expulsa seu bebê suavemente e sem pressa, dificilmente terá algum trauma perineal. Essa assistência mais humanizada, centrada na fisiologia do parto, faz parte das recomendações da Organização Mundial da Saúde para o parto normal ³. Sabemos quais condutas devem ser estimuladas e quais devem ser abolidas, e todas que prejudicam o períneo estão nas categorias de condutas que devem ser abolidas. Mas infelizmente continuam sendo realizadas por muitos serviços obstétricos.
Além da assistência adequada, temos que lembrar o períneo é um conjunto de músculos como os outros músculos de nosso corpo. E como tal, necessita também de atividade para se manter forte e saudável. Porém, durante a gestação, sendo forte ou não, e independente da vida de parto, o períneo sofre sobrecarga. Ele precisa carregar bebê, placenta, líquido... e por isso fica mais enfraquecido. Se além da gestação, a gestante já tem uma predisposição à flacidez muscular, logicamente que o períneo também será mais flácido. Se a mulher nunca trabalhou esse períneo, se já apresentava uma fraqueza, logicamente que com a sobrecarga produzida pela gestação, esse períneo vai ficar ainda mais fraco.
Por isso é importante a grávida se conhecer, conhecer seu períneo, sua função e prepará-lo para o parto. Eu sempre uso a seguinte história para ilustrar a importância dessa preparação: Quem tem chance de se dar melhor uma maratona de rua? Uma pessoa que fica vendo tv o dia todo ou o atleta que conheceu o percurso pelo qual vai passar, que procurou uma boa equipe de apoio, e que se preparou física e mentalmente?? Ambos terão cansaço, dores, dificuldades... mas é o mais bem preparado que enfrentará o desafio da melhor forma possível. E lógico que após a maratona, ambos ficarão debilitados, mas o atleta se recuperará mais rápido!!
O mesmo acontece com o períneo... e quanto mais prepararmos essa região do corpo, mais ela nos ajudará. O períneo mais fortalecido, também relaxa melhor, é mais irrigado e sua recuperação após o parto também é melhor. Todo corpo após o parto fica debilitado, afinal foram 9 meses de grandes modificações. E é óbvio que após um grande trabalho muscular, ele

ficará debilitado, mas como todo o resto do corpo voltará à sua força anterior.
Lógico que com a multiparidade e com o passar dos anos o períneo se modificará... mas o corpo todo também se modifica. Não é só “lá embaixo” que sofre com as mudanças que a idade nos confere. E não adianta se iludir... não será uma cesárea que vai dar jeito nas modificações impostas pelo tempo.
9 - Alguma das suas doulandas já te procurou após o parto reclamando de incontinência urinária ou algum problema perineal?
10- Você tem um site, que começou como blog, não é mesmo? Como surgiu essa ideia?
Sim! Eu sou toda "internética"..rs.. Já tinha blog antes mesmo de ser doula. Quando fiz o curso, resolvi criar o Fisio & Doula, para discutir mesmo sobre esse mundo da maternidade e levar informação para o máximo de gestantes possível. A intenção era fazer do blog um arquivo de matérias. Tudo que lia e achava bacana, eu levava pra lá.. e assim foi crescendo, tendo muitos acessos e seguidores.
11- Sobre o que você fala no seu site? Ele te dá algum tipo de retorno financeiro ou não?
É um cantinho que amo demais e que as pessoas gostam muito! Ele já passou por várias reformulações, porque me preocupo em ter um espaço completo, e com a cara das leitoras. Sempre levo em consideração as sugestões, críticas e opiniões... afinal o blog foi criado para elas... E lógico que acaba tendo algum retorno. Muitas das minhas doulandas me encontraram através do blog! E por isso sou muito grata a ele! Para quem não conhece ainda o endereço é www.renataolah.com.br
Referências
1 - "The cut above" and "the cut below": the abuse of caesareans and episiotomy in São Paulo, Brazil. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15242215
2 - Episiotomy for vaginal birth - http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10796120
3- Recomendações da Organização Mundial da Saúde no Atendimento ao Parto Normal http://www.amigasdoparto.com.br/oms.html
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domingo, 2 de outubro de 2011
.:. Conter a Violência em Cada Etapa do Desenvolvimento III .:.
Todas as informações foram retiradas integralmente do site Não Bata. Eduque.
Tapas e palmadas
Alguns pais acreditam que dar tapas na mão, palmadas no bumbum ou bater na criança com uma vara pode ensinar importantes lições. Na verdade, o castigo físico ensina à criança que:
- É batendo que comunicamos coisas importantes.
- Bater é uma resposta aceitável para a raiva.
- As pessoas das quais elas dependem para sua proteção irão machucá-las.
- Eles devem ter medo de seus pais, ao invés de confiar neles para que ajudem e ensinem.
- Suas casas não são seguras para exploração.
É necessário que pensemos sobre o que queremos ensinar a nossos filhos no longo prazo. Se quisermos ensiná-los a serem pacíficos, precisamos mostrá-los como ser pacíficos. Se quisermos ensiná-los como permanecer em segurança, devemos explicar e mostrar a eles como fazê-lo.
Pense no efeito que ser punido fisicamente tem sobre adultos. Quando alguém nos bate, sentimo-nos humilhados. Não temos motivação para agradar a pessoa que nos bateu, sentimos ressentimento e medo. Podemos inclusive ter desejo de vingança.
Bater em seu filho prejudica seu relacionamento com ele, e não lhe dá a informação necessária para que tome decisões. Além disso, bater não aumenta o respeito de seu filho por você.
Fonte: DURRANT, Joan E., Positive discipline: what it is and how to do it, Save the Children Sweden e Global Initiative to End All Corporal Punishment of Children, 2007.
Algumas vezes, os pais tentam corrigir seus filhos dizendo-lhes que são maus, desastrados, imaturos ou incompetentes. Quando as crianças ouvem tais críticas, sentem-se rejeitadas e fracassadas.
Se elas se virem como más, terão mais propensão a adotar comportamentos maus.
Se elas se virem como incompetentes, terão menos propensão a dominar novas habilidades.
Crianças são aprendizes. Elas dependem de nós para construir seu saber e habilidade. Elas precisam de nosso apoio. Crianças com boa auto-estima têm mais sucesso porque se dispõem a tentar. São mais felizes porque têm mais certeza de sua capacidade de lidar com o fracasso. E têm relacionamentos melhores com seus pais porque sabem que suas famílias acreditam nelas.
Pais e mães podem fazer muitas coisas para construir uma boa auto-estima para seus filhos. Eles podem:
- Reconhecer os esforços dos filhos, mesmo que eles não sejam perfeitos.
- Apreciar a vontade de ajudar das crianças.
- Apoiar seus filhos quando falham e encorajá-los a continuar tentando.
- Dizer a suas crianças todas as coisas que as tornam especiais.
Nós somos todos movidos pelo encorajamento. Trocar as críticas pelo encorajamento pode ter efeitos poderosos em seu filho.
Fonte: DURRANT, Joan E., Positive discipline: what it is and how to do it, Save the Children Sweden e Global Initiative to End All Corporal Punishment of Children, 2007.
Explosões de raiva em pré-adolescentes
Um dos maiores desafios da infância é aprender como lidar com emoções e expressá-las corretamente. Essa é uma tarefa difícil porque as emoções podem impedir que pensemos com clareza. Emoções podem fazer com que tenhamos reações impulsivas, dizendo coisas que normalmente não diríamos ou fazendo coisas que normalmente não faríamos.
Para que uma criança entenda emoções e possa usá-las e expressá-las da maneira certa é preciso superar grandes desafios. Certas emoções podem fazer com que as crianças sintam-se sobrecarregadas. Se elas costumam dar ataques de fúria quando pequenas, também podem ter explosões de raiva quando maiores. Ou podem ficar silenciosas, incapazes, com medo de expressar seus sentimentos.
Nessas ocasiões, elas precisam sentir que são amadas e que estão seguras. Não é possível ter uma conversa calma com seu filho quando ele está muito irritado. A melhor coisa a fazer é sentar-se por perto, deixando que seu filho saiba através de sua maneira de agir que você estará presente caso ele precise.
Uma vez que a tempestade houver acabado, você pode falar sobre o problema e, permanecendo calmo, mostrar ao seu filho como expressar sentimentos da maneira correta. Você também pode indicar formas de resolver a questão que causou a explosão de raiva.
Lembre-se: estes ataques de fúria passam. E cada um deles lhe oferece a oportunidade de ser um exemplo para seu filho.
Fonte: DURRANT, Joan E., Positive discipline: what it is and how to do it, Save the Children Sweden e Global Initiative to End All Corporal Punishment of Children, 2007.
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sábado, 1 de outubro de 2011
.:. Conter a Violência em Cada Etapa do Desenvolvimento II .:.
Todas as informações foram retiradas integralmente do site Não Bata. Eduque.
Como controlar a raiva dos pais
Há muitos momentos na vida de um bebê em que você poderá sentir frustração ou medo. Muitas vezes, esses sentimentos podem gerar raiva. Sentimo-nos irritados quando acreditamos que nossas crianças estão comportando-se intencionalmente mal. Se pensarmos que nossos filhos são capazes de controlar seu comportamento para deixar-nos bravos, ficaremos bravos.
No entanto, bebês não entendem nossos sentimentos. Eles não sabem a razão de nossa irritação. Eles estão tentando entender tudo isso e têm medo de nossa raiva. Não é a reação que eles procuram.
Durante os primeiros anos da infância de seu filho, paciência é extremamente importante. Eles aprendem conosco como agir quando sentirem-se irritados. É necessário muito autocontrole da parte dos pais para dominar a raiva e responder com disciplina positiva. Respirar fundo pode ajudar, bem como caminhar um pouco ou sair do cômodo até sentir-se mais calmo. O aprendizado infantil é gradual. Levará tempo até que as crianças entendam tudo que ensinamos. Mas a compreensão de seu filho é a chave para a obtenção de seus objetivos de longo prazo. *
Dicas para controlar sua raiva:
1. Conte até 10 antes de dizer ou fazer qualquer coisa. Se você ainda estiver com raiva, afaste-se e conceda-se um pouco de tempo, até que fique mais calmo.
2. Relaxe seus ombros, respire fundo e repita uma frase como “acalme-se” ou “devagar”.
3. Coloque suas mãos atrás das costas e diga a si mesmo que deve esperar. Não fale nada antes de acalmar-se.
4. Ande um pouco e pense na situação. Pergunte-se por que seu filho age desta maneira. Coloque-se no lugar da criança. Planeje uma reação que respeite o ponto de vista de seu filho e que também mostre para ele as razões de sua irritação.
5. Vá a algum lugar calmo e revise os passos da disciplina positiva. Volte para junto da criança apenas quando houver planejado uma resposta que respeite os objetivos de longo prazo para sua educação, que lhe dê carinho e referências claras, e que reconheça a forma de pensar e sentir de seu filho.
6. Lembre-se de que esta situação é uma oportunidade de ensinar ao seu filho como acabar com conflitos através da comunicação e da resolução de problemas.
A raiva é sinal de que você e seu filho não entendem o ponto de vista um do outro. Ela mostra que a comunicação precisa ser restaurada. Não deixe que a raiva faça com que você diga coisas más, rebaixe seu filho, ou machuque-o. Não guarde rancores ou tente ficar quites com a criança.
Lembre-se de que o aprendizado mais importante acontece nas situações mais difíceis. Agarre cada oportunidade de agir como a pessoa que você deseja que seu filho se torne.
* Segundo o autor, o primeiro passo para a aplicação da disciplina positiva é a definição de objetivos de longo prazo para a educação dos filhos. Objetivos de longo prazo são as metas que os pais desejam atingir quando seus filhos estiverem grandes – e normalmente envolvem o cultivo de um bom caráter, ético, pacífico e amoroso. Objetivos de longo prazo podem entrar em conflito com objetivos de curto prazo, que correspondem àquilo que os pais desejam que seus filhos façam imediatamente. No entanto, o autor explica que pensar nas metas mais distantes é a forma mais inteligente de conduzir a educação das crianças no dia-a-dia.
Fonte: DURRANT, Joan E., Positive discipline: what it is and how to do it, Save the Children Sweden e Global Initiative to End All Corporal Punishment of Children, 2007.
É completamente normal que crianças pequenas se recusem a fazer aquilo que você pede. Elas não agem assim para irritá-lo ou desafia-lo. Elas agem desta forma porque descobrem que são indivíduos e querem experimentar sua habilidade de tomar decisões.
Algumas vezes você explicará coisas a seus filhos, mas ainda assim eles não farão o que você pede. Isso ocorre porque eles querem tomar suas próprias decisões. Nesse momento, pode ser útil oferecer escolhas às crianças para que elas exerçam sua capacidade de tomada de decisões. “Você prefere usar seu casaco verde ou seu casaco amarelo?”, “Você quer andar ou ser levado nos braços?”. Uma vez que a criança escolhe uma destas opções, seu objetivo de curto-prazo é cumprido*.
Assegure-se de que as escolhas que você oferece são escolhas que você pode aceitar. Se você precisa ir a algum lugar, não pergunte se a criança “prefere sair ou ficar em casa”. Se ela escolher permanecer em casa, mas você precisar sair, a criança sentirá que a opção que ela escolhe não tem importância e que você não está sendo sincero quando a oferece.
Além disso, uma ameaça não é uma escolha. “Ou você coloca seu casaco ou eu baterei em você”, “Ou você sai de casa sozinho ou eu nunca mais o levarei comigo”. Isso não é uma escolha, e sim uma ameaça. Ameaças amedrontam seus filhos. Eles também criam uma armadilha para os pais. Se o seu filho não quiser colocar o casaco, você sentirá que deve cumprir com sua ameaça, o que fará com que a situação fique pior.
*O autor fala de objetivos de curto prazo para designar aquilo que os pais desejam que as crianças façam de forma imediata. Objetivos de curto prazo podem ser atingidos respeitando os objetivos de longo prazo, que dizem respeito às metas que os pais desejam atingir através da educação dos filhos uma vez que estes estiverem grandes. Eventuais conflitos entre objetivos de curto e de longo prazo podem aparecer, e é importante desenvolver estratégias para lidar com eles sem desrespeitar a criança.
Fonte: DURRANT, Joan E., Positive discipline: what it is and how to do it, Save the Children Sweden e Global Initiative to End All Corporal Punishment of Children, 2007.
É muito difícil convencer crianças pequenas de que as coisas que elas temem não são reais. Elas ainda não entendem a diferença entre realidade e imaginação. Algumas vezes, o melhor a fazer é checar embaixo da cama de seu filho ou dentro do armário para mostrar que não há nada ali. Depois ofereça conforto e companhia para que ele relaxe e adormeça sabendo que está seguro.
Lembre-se de que a maioria de nós não gosta de ficar sozinho no escuro. O medo é uma reação natural do ser humano quando está sentindo-se vulnerável. Por vezes, a imaginação dos adultos também é capaz de voar alto quando eles estão sozinhos no escuro. Se tivermos consciência de nossos próprios medos, poderemos entender os medos de nossos filhos com muito mais facilidade.
Em algumas culturas, as crianças dormem com seus pais. Nessas culturas, é mais fácil ajudar os pequenos para que tenham um sentimento de segurança e proteção durante a noite.
Em outras culturas, a prática de pais e filhos dormirem juntos não é comum. Nessas culturas, os pais devem fazer um esforço extra para assegurar-se de que seus filhos sentem-se seguros e protegidos.
Fonte: DURRANT, Joan E., Positive discipline: what it is and how to do it, Save the Children Sweden e Global Initiative to End All Corporal Punishment of Children, 2007.
Como lidar com ataques e escândalos
Os pais podem ficar irritados quando seus filhos dão ataques e fazem manha, porque sentem vergonha ou porque acreditam que devem ser capazes de controlar o comportamento das crianças.
Lembre-se de que o seu relacionamento com o seu filho é muito mais importante do que aquilo que os outros podem estar pensando. Se o seu filho der um ataque em público, concentre-se nos seus objetivos de longo prazo* e em dar carinho e referências claras de educação à criança. Tente não ficar muito preocupado com o que outras pessoas pensam.
Além disso, lembre-se de que tentar controlar um escândalo é como tentar controlar uma tempestade. Não é possível. Crianças dão ataques deste tipo porque não entendem a razão de estarmos negando-lhes algo, e porque elas não sabem muito bem como lidar com a frustração. Dar ataque é a forma encontrada por seu filho para dizer que ele está muito, muito frustrado. Se você gritar ou bater nele neste momento, ele apenas ficará ainda mais frustrado. Ele também sentirá medo e acreditará haver sido incompreendido.
A melhor coisa a fazer é esperar. Fique perto para que a criança sinta-se segura enquanto é tomada pela tempestade. Algumas vezes, segurar seu filho com carinho pode ajudar a acalmá-lo.
Quando o escândalo houver acabado, sente-se com seu filho e converse sobre o que aconteceu. Aproveite a oportunidade para ensiná-lo o que são sentimentos, quão fortes eles podem se tornar e quais são os seus nomes. Você também pode explicar o porquê de ter dito “não” e que você entende sua frustração. Diga-lhe o que você faz para acalmar-se quando está frustrado. E certifique-se de haver dito que você o ama, não importa se ele está feliz, triste ou bravo. Depois, passe para outra.
* Segundo o autor, o primeiro passo para a aplicação da disciplina positiva é a definição de objetivos de longo prazo para a educação dos filhos. Objetivos de longo prazo são as metas que os pais desejam atingir quando seus filhos estiverem grandes – e normalmente envolvem o cultivo de um bom caráter, ético, pacífico e amoroso. Objetivos de longo prazo podem entrar em conflito com objetivos de curto prazo, que correspondem àquilo que os pais desejam que seus filhos façam imediatamente. No entanto, o autor explica que pensar nas metas mais distantes é a forma mais inteligente de conduzir a educação das crianças no dia-a-dia.
Fonte: DURRANT, Joan E., Positive discipline: what it is and how to do it, Save the Children Sweden e Global Initiative to End All Corporal Punishment of Children, 2007.
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sexta-feira, 30 de setembro de 2011
.:. Conter a Violência em Cada Etapa do Desenvolvimento .:.
Todas as informações foram retiradas integralmente do site Não Bata. Eduque.
A chegada de um novo bebê provoca grandes transformações na vida da mãe. Algumas vezes, as mães sentem saudades do tempo em que não tinham um bebê, podendo comer, dormir e sair quando quisessem. Novas mães podem se sentir completamente sobrecarregadas com os cuidados dedicados ao bebê.
Além das mudanças de estilo de vida que a chegada do bebê acarreta, as mães passam por grandes transformações físicas. Seus hormônios flutuam para acelerar a recuperação do corpo após o parto e para criar leite para o recém-nascido.
Mesmo amando seus bebês, as mães podem desenvolver depressão depois do nascimento de seus filhos em razão da combinação de mudanças físicas e de estilo de vida pela qual estão passando. Tal depressão não é incomum. Ela não significa que a mulher é uma péssima mãe ou uma má pessoa. Trata-se simplesmente de uma reação às grandes transformações pelas quais ela está passando.
Se você anda chorando demais, sentindo-se “pra baixo”, sem energia ou sem ligação emocional com o seu bebê, deve falar com o seu médico ou uma enfermeira imediatamente. Você precisa de apoio, pessoas com quem conversar e tempo para si mesma. Ler sobre depressão pós-parto e entrar em contato com outras mães também pode ajudar.
Em alguns casos, esse tipo de depressão pode tornar-se bastante grave. Se você sente indiferença por seu bebê ou pensa em machucá-lo, diga ao seu médico o mais rápido possível. A depressão pós-parto pode ser tratada.
Fonte: DURRANT, Joan E., Positive discipline: what it is and how to do it, Save the Children Sweden e Global Initiative to End All Corporal Punishment of Children, 2007.
Os pais podem ficar muito cansados ao cuidar de seus bebês. Algumas vezes, eles podem ter vontade de sacudir ou bater o bebê quando ele não pára de chorar. Sacudir ou bater no seu bebê não acaba com o choro, mas pode:
> Fazer com que ele tenha medo de você.
> Machuca-lo, ferindo-o ou quebrando ossos.
> Prejudicar seu cérebro.
> Matá-lo.
Os corpinhos e os cérebros de bebês são extremamente frágeis. Nunca sacuda ou machuque um bebê. Se o seu filho não pára de chorar, ele precisa saber que você está presente. Ele precisa ser confortado e apoiado. Não é possível mimar um bebê. Mas você nem sempre será capaz de acalmar seu bebê. Se você acha que está muito cansado e estressado, peça ajuda à sua família, amigos, médico ou outros recursos na sua comunidade.
Fonte: DURRANT, Joan E., Positive discipline: what it is and how to do it, Save the Children Sweden e Global Initiative to End All Corporal Punishment of Children, 2007.
Suas variações de humor influenciam tanto o comportamento de seu filho quanto sua própria reação a este comportamento. Se você está cansado, estressado, preocupado ou bravo com algo, terá mais chances de agir com agressividade em relação a seus filhos. É muito comum que os pais se peguem descontando suas frustrações nas crianças.
- Quando as variações de humor dos pais são imprevisíveis, as crianças podem tornar-se inseguras e ansiosas.
- Quando os pais ignoram um comportamento em determinado dia, mas demonstram irritação com o mesmo comportamento em outro dia, seus filhos ficam confusos.
- Quando os pais brigam com as crianças porque estão preocupados com outras questões, seus filhos ficam ressentidos por não estarem sendo tratados com justiça.
- Quando os pais estão sempre nervosos e de mau-humor, as crianças sentem medo.
O humor dos pais afeta o comportamento das crianças (pais nervosos = bebê/criança nervoso, chorando, irritadiço). É importante que os pais tenham consciência de suas próprias variações de humor. Eles devem evitar descontar seu mau-humor em suas crianças.
É importante que os pais durmam bem e comam alimentos nutritivos para que tenham energia o suficiente para encarar todas as tensões da vida quotidiana. Se você costuma irritar-se com facilidade, estando frequentemente triste, preocupado ou estressado, deve falar com o seu médico, uma enfermeira ou um bom amigo ou familiar. É importante que você resolva seus problemas de maneira construtiva, sem prejudicar suas crianças.
Fonte: DURRANT, Joan E., Positive discipline: what it is and how to do it, Save the Children Sweden e Global Initiative to End All Corporal Punishment of Children, 2007.
Crianças pequenas precisam explorar. É dessa forma que aprendem. A exploração dos espaços é absolutamente essencial ao desenvolvimento do cérebro infantil.
Os pais precisam manter seus filhos em segurança.
A melhor maneira de resolver esse problema é certificando-se de que sua casa é segura.
Engatinhe pela casa e observe-a do ponto de vista do seu filho.
- Onde estão os perigos – objetos pontiagudos, venenos, objetos quebráveis? Coloque-os todos em lugares altos ou armários trancados.
- Cubra as tomadas.
- Tranque facas e ferramentas.
- Esconda medicamentos.
- Vire as alças das panelas para o lado de dentro do fogão.
- Certifique-se de que objetos pesados não podem ser puxados ou empurrados.
- Certifique-se de que sua casa é segura para ser explorada.
Fonte: DURRANT, Joan E., Positive discipline: what it is and how to do it, Save the Children Sweden e Global Initiative to End All Corporal Punishment of Children, 2007.
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.:. Aviso Aos Navegantes .:.
Olá, pessoas que leem este blog, que nunca é atualizado!
Postado por [.ingrid.] às 16:02 0 comentários
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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
.:. Depressão Pós Parto – Ou Quando Nós Somos O Monstro .:.
DPP é uma abreviatura para o nome de uma doença silenciosa, pouco falada, pouco discutida, encoberta em mitos e preconceitos, a Depressão Pós-Parto.
Como o próprio nome diz, é uma doença que aparece na mãe após o nascimento da criança, tanto por parto normal como por via cesariana, embora as estatísticas provem que as mulheres submetidas à cesárea (principalmente quando é uma cesárea imposta, ou seja, as de emergência ou as fruto da engabelação médica) estejam MUITO mais propensas a desenvolvê-la.
Uma variação “mais leve” da depressão pós-parto é a blues post partum, ou baby blues, ou ainda, tristeza materna.
Quem quiser ter uma visão mais ampla da doença, pode ler este texto aqui e aqui, ou até digitar “depressão pós-parto” no titio Google.
Neste post debater sobre os mitos que nos são impostos acerca da maternidade, e mais pra frente, escrever minha experiência e a de outras mulheres sobre o período do puerpério.
Em primeiro lugar, a DPP é uma doença, logo, precisa de tratamento. Não é frescura, não é desculpa da mãe pra não cuidar da criança, não é coisa de mulher que não ama o filho, não é coisa de vagabunda, não é... inclua aí, todas as variações que você já ouviu – ou até já supôs.
Desde criancinhas somos adestradas a crer que a dor do parto é a maior dor do mundo, que todas as mamães têm uma enorme facilidade para amamentar os seus bebês, que ser mãe é a coisa melhor e mais fácil do mundo, que bebês dormem vinte horas por dia, etc., etc. e etc.
Costumam nos contar apenas as partes cor-de-rosa, floridas e perfumadas da maternidade... Nunca nos contam a parte feia, triste, cinzenta. Fingem que isto não existe.
Tirando a parte de que ser mãe é a melhor coisa do mundo, todos os ensinamentos acima são falsos. Todas as mães mentem, todas as mães ocultam, todas as mães contam as partes boas da sua maternidade para as outras e escondem as ruins dentro de si.
E então pensamos “Que merda de mãe sou eu? Não consigo amamentar, não sei pegar meu filho no colo, ele não dorme VINTE HORAS POR DIA!!! ONDE FOI QUE EU ERREI?”
Não errou em lugar nenhum. Fomos nós que erramos ao não te contar que nem tudo são flores.
Os sintomas da DPP (vou usar DPP para designar até o baby blues, ok) são muito variados. Exemplos:
> Algumas mães apenas choram o tempo todo;
> Outras se sentem incapazes de cuidar do bebê, de pegá-lo no colo, acham que seu leite não é suficiente;
> Determinadas mamães podem sentir que apenas elas sabem cuidar da criança e se apegam de forma doentia, não aceitam ajuda de ninguém, veem defeito em tudo o que o ajudante fizer. Resultado? Fazem coisa demais e acabam se cansando e ficando muito irritadas;
> Algumas mães podem se imaginar ou mesmo “se verem” batendo, sufocando, afogando ou ferindo a criança de qualquer forma, sem, entanto, partir para a ação;
> Há ainda as que pensam que odeiam o bebê. Basta a criança fazer algo “errado”, como chorar, acordar ou querer mamar, para que a mãe exploda e comece a gritar, xingar e brigar com o filho. Possivelmente isso é reflexo da grande exaustão sentida pela parturiente nos primeiros meses, e pela falta de tempo para dormir.
Geralmente, quando a mamãe percebe que agiu conforme os dois itens acima, surge um profundo arrependimento na mãe, que tende a aumentar ainda mais os seus cuidados, de forma a “reparar” o seu erro – e aumentam ainda mais seu cansaço, em um círculo vicioso e venenoso.
> Também há mães que se machucam. Se mordem, batem a própria cabeça contra a parede, ficam sem comer, sem realizar sua higiene pessoal. É uma tentativa inconsciente de punição.
> E por fim, há as mães que simplesmente resolvem buscar alguma solução para o seu problema, e como não enxergam outra resposta, acabam doando, abandonando ou até mesmo, matando seus filhos.
E agora? O que eu faço?!
Não fique calada. Isso é o pior. Busque ajuda, converse com o pediatra, com o seu obstetra, com o pai da criança, com um parente ou amigo que você confie. Marque uma hora com um psicólogo.
Ninguém vai te taxar de louca, tirar a guarda do seu filho e te prender em uma camisa de força. Uma pessoa esclarecida – como um psicólogo especializado no assunto – vai te ajudar a superar essa fase difícil.
Às vezes basta uma pequena ajuda, como alguém que lave a louça, arrume a sua casa e prepare o seu almoço, para que você possa dormir nas mesmas horas que o bebê dorme. Aliás, o sono deve ser sua prioridade nesse primeiro mês, pois ele ajudar a modelar nosso inconsciente e pode prevenir ou amenizar a DPP.
O amor é algo construído diariamente. Não seria diferente com o amor entre mãe e filho. Primeiro amamos nossa gestação, nossa barriga e então parimos. Temos que nos adaptar à essa nova realidade, à essa ruptura com o nosso antigo modo de ser.
O amor de mãe e filho não nasce pronto, por mais que digam que há de ser assim. É uma troca, é necessário doação, paciência, perseverança e apoio para não desistir quando forem aparecendo os espinhos.
VOCÊ não deve se sentir culpada, se punir ou achar que é uma péssima mãe por ter esses sentimentos. O pós-parto é um período em que a mulher está extremamente sensível, e que fica, naturalmente, muito cansada. E essa mistura pode acarretar no aparecimento da DPP.
Ah, e por favor, não se esqueça: Errar é normal. Falhar é normal. Não só normal, como esperado. Pare de se cobrar tanto, de buscar a perfeição, pois no dia que você for perfeita, vai ter que subir o monte Olimpo e viver a vida entediante dos deuses!
No momento em que você se permitir errar, a sua vida vai ficar mais leve.
A única coisa que você não pode é ficar calada. Procure ajuda. Sempre. E se permita sentir por que ser mãe é tão bom!
Postado por [.ingrid.] às 21:56 0 comentários
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